sexta-feira, 19 de novembro de 2010

EUA 2010



Desde os meus oito anos falei pro meu pai que eu queria ir estudar nos EUA. Nos úlitmos dois anos minha vida se resumiu em conseguir uma bolsa pra ir treinar e estudar numa Universidade nos Estados Unidos. Finalmente consegui, estou aqui realizando meu sonho mas do mesmo jeito que foi difícil chegar aqui é difícil permanecer, superar e aguentar.

Quando eu já tinha apagado a idéia de ir para os EUA falei pra minha mãe que não ia mais. Ela virou pra mim e disse: "Calma, você vai. Eu tenho certeza". Não dei muita bola. Duas semanas depois recebi um email de confirmação da minha bolsa. Eu pulei, gritei, liguei para os meus pais, nem acreditei. Acho que faltavam 6 meses para minha nova jornada começar e eu resolvi aproveitar o máximo com as pessoas que eu amo.


Passaporte na mão, passagem comprada, instruções impressas. Cheguei em SP e comecei a reparar a quantidade de estudantes indo viajar todos com o mesmo objetivo que eu ou quase isso. Entrando no avião eu só via pessoas jovens fui me empolgando, quem sabe eu conhecia alguém da minha Universidade. Nada, sentei do lado de um Americano que por acaso sabia falar portugues e me pertubou o voô inteiro. Finalmente cheguei em Dallas pra fazer conexão mas fiquei meia perdida procurando o balcão da empresa pra eu poder fazer meu check-in. Vi um balcão e um senhor na frente dele com outra moça e perguntei se ele podia me ajudar achando que ele era funcionário. Que nada era um casal de amigos fazendo escala também e nem tive que ir até o balcão da companhia aérea, entramos numa sala vip e ele emitiu minha passagem e depois falou vamos tomar café? Vamos! ahahahah. Fomos no Fridays e nisso conversando sobre várias coisas. Depois do café eles me acompanharam até o meu portão de embarque e me desejaram boa sorte. Boa sorte mesmo, eu achando que Americano era rude e egoísta, nem paguei pra comer e ainda conheci pessoas legais. É mas a minha sorte não durou muito tempo. Cheguei em Saint Loius- Mo , achando que meu técnico estaria me esperando, quando olhei era dois nerds com uma placa na mão com meu nome. Comecei a conversar com eles e descobri que eles eram voluntários da Igreja ajudando os freshmans. Legal, imagina se não tivesse ninguém lá quando eu chegasse?

Ficamos esperando mais dois estudantes chegarem. Um de Israel e outra menina do Japão. Saímos do aeroporto em busca do carro , a temperatura lá fora devia estar mais que 40 graus. Finalmente encontramos o frugão dos voluntários e seguimos em direção a Universidade...uns 20 min de carro. Eu certa de que eu ia chegar e ir direto pra minha casa, tomar um banho, comer , tudo certo. Fomos deixados em frente a um prédio chamado PA( pERfomance arena), aonde os freshmans tinham que fazer o check in. Lá fui eu. Tinham uns 10 steps pra completar. O primeiro era ver se meu nome tava na lista eu acho. Chegando nos step 3 que era ver a minha casa...não encontraram meu nome. Legal,a partir dai, nada deu certo. Desci as escadas pra proximo passo, ID da Universidade, também não pude fazer porque não acharam meu nome. O que eu ia fazer então? Me deram uma mapa e me mandaram pra um outro prédio lá. Como que eu ia fazer com um monte de mala ? Reparei que todo mundo tinha deixado as malas num canto lá e lembrei que Americano não pega as coisas dos outros assim com muito frequencia. Larguei minhas coisas lá mesmo e sai andando pelo campus procurando o tal prédio. Noooosssaa quase morri. De calor e de andar. Cheguei em um prédio e pedi informação. Desculpe não é aqui é lá no outro prédio, que era só do outro lado de onde eu estava. Andei, andei. Fui no International Office e me deram a informação de que meu nome do meio tava como meu ultimo nome e por isso estava dando erro e só poderiam resolver o problema no dia seguinte. Fui então pra office do housing até que depois de 1h descobriram a minha casa e traçaram no mapa novamente. Quase saindo do mapa de tão longe!!! Pensei beleza, o que eu faço primeiro? Acho a minha casa e depois pego as malas? Ou pego as malas e fico tentando achar a casa com as malas na mão? Decidi procurar a casa primeiro. No meio do caminho, perdida, os voluntários apareceram de carro. Amém! Foram até o PA pegaram minhas malas e fomos até a minha casa. Quem era a minha roommate? A Japonesa que também estava no carro. Quem disse que eu entendi alguma coisa que ela falava?!! Meu DEUS!

http://www.youtube.com/watch?v=g7p7Q9DkQJI

Entrei na casa e percebi que era uma casa enorme...com vários quartos, cozinha com geladeira, fogão, bem legal. Mais tarde os voluntarios nos levaram no Walmart.Comprei travesseiro, roupa de cama, e sei la mais o que que eu nem lembro. Só pensava em voltar pra casa e dormir. Até acabei esquecendo de comer esse dia. No dia seguinte já tinha coisa pra fazer. Atividades da Universidade. Orientações para os Freshmans, e lá fui eu e a japonesa andando uns 20 min até o campus, num sobe e desce ladeira. Finalmente consegui minha ID e pude comer na cafeteria.

Fiquei uns 2 dias sem falar com meus pais. Finalmente achei um computador sem senha em uma laboratório e pude mandar um email pro meu Pai, chorando. Eu só pensava em ir embora daqui. Tava tudo errado. Não sabia aonde era nada, meu técnico não apareceu, minha casa era longe pra caramba. Que loucura. Os dias foram passando e eu fui conhecendo o pessoal, pegando informação mas só fiquei tranquila quando conheci meu técnico.

Na outra semana as outras roommates começaram a chegar e a japonesa que tava comigo na casa teve que se mudar por que mandaram ela pra casa errada. De ínicio eu não gostei das outras roommates mas depois fomos conversando e ficou tudo bem. Até elas começarem a sujar a casa, deixar o banheiro imundo, levar mil pessoas pra dentro de casa. Até que um dia eu acordei era homem, cachorro, outras meninas...uma bagunça. Me mudei pra casa da frente.

Meus treinos começaram e foi dificil no começo porque eu nao entendia nada. FR, EZ, BR...QUE ISSO GENTE??? dEPOis de 2 semanas eu já tava pegando a manha...depois de perguntar para as meninas...que nao foram muito simpaticas. Hoje eu estou de boa , não preciso perguntar nada pra ninguém, na verdade nem falo com ninguém. Acho que não gostam muito de international. Meu técnico é internacional também mas ele não ta muito ligando pra mim. Outro dia ele me perguntou se eu tinha ido no treino, sendo que ele tinha falado comigo no dia. Percebi que eu sou invisível e no dia que teve tiro e meu ombro estava doendo, fiquei lá na fila pra dar tiro e depois sai de fininho e só soltei. Quem disse que ele me viu?

As vezes eu me pergunto o que eu estou fazendo aqui. Eu tinha uma vida tão boa no Brasil, tudo do bom e do melhor. Uma empregada pra cozinhar, lavar minha roupa, limpar a casa e aqui eu tenho que cozinhar, lavar minha roupa, limpar o banheiro...porque eu troquei minha vida boa por isso aqui? Pra as vezes ser mal tratada por não entender certas palavras em inglêS? Ser ignorada pelo meu time de natação? No Brasil eu tinha minha família, meus amigos, minhas mordomias e aqui não tem nada disso, não tem moleza e porque então e estou aqui? Porque por mais que eu tivesse tudo no Brasil a minha vida não tinha sentido, eu não tinha objetivo, eu não via meu futuro lá. E aqui eu posso estar sozinha, eu posso sentir falta as vezes e chorar mas eu me sinto viva, eu me sinto útil. Eu tenho minhas obrigações, treinar e estudar.



Tem dias que eu acordo e não quero ir pra aula...não por ser chata mas por preguiça de ter que andar até lá. Esse é o preço que se paga pra morar numa casa , ter uma cozinha e não ter que dividir quarto com ninguém. Mas tenho que ir, antes eu ia de mau humor andando e me lamentando por andar mas hoje me sinto bem, Principalmente quando me sinto sozinha. Coloco meu fone no ouvido e ligo meu ipod e vou pensando na vida subindo e descendo ladeira. Faz bem e é saudável e desestressa.


Algumas coisas da vida eu já sabia mas acho que a gente só aprende quando vive esses momentos de dificuldade. Aprendi que nem tudo na vida é fácil. Alcançar seu sonho demora , se realizar é difícil se prepare para vivê-lo. Meu maior medo: ficar sozinha. O que mais acontece aqui: solidão. Estou perdendo meu medo, no final estou sempre sozinha afinal foi isso que eu escolhi pra minha vida. Deixei tudo pra tras pra correr em busca do meu sonho e ninguém pode me acompanhar nele. Essa é minha nova vida, pra ficar bonito eu diria em busca da felicidade, pra ser realista digo em busca de um sonho que se modifica a cada dia. Ainda não sei o que vou fazer nem o que vai acontecer e isso é o bom da minha vida, nenhum dia é igual ao outro e o amanhã é uma icógnita.



By Mandokinhax

HULL...walking on a dream

último vídeo: Minha aula de sobrevivência.
http://www.youtube.com/watch?v=m9A2xHVi-cw